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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Intermitências Zerodimensionais. Técnica: performance em rede telemática. Rede LATI (PA, CE, BA, GO e RS).

Técnica: performance em rede telemática. Rede LATI (PA, CE, BA, GO e RS).
Ficha técnica de participação por estado: PA - UFPA Acilon Nicola Alighieri ... CE - Vila das Artes / UFC Cristiana Parente ... BA - UFBA Cristiano Figueiró... RS - Andréia Oliveira (UFSM)
Evento multimídia, que ocorreu na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria - RS), pude presenciar e desfrutar da interação de várias academias brasileiras que trabalham com linguagens bastante avançadas e inventivas no campo da arte e tecnologia. Foram apresentadas instalações em vídeo e a música foi produzida em tempo real. O vídeo vai tornar bem claro como foi.
vídeo de LabInter - Laboratório Interdisciplinar Interativo: https://www.facebook.com/labinterartec/videos/vb.166714456832121/350618501775048/?type=2&theater
Filmagem : Muriel Paraboni, MSC Matheus Moreno, Kalinka Mallmann, Indira Zuhaira. Edição: Muriel Paraboni

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Músico português com estratégia de divulgação rara.

Nothing Always Works, é o músico Alexandre Abrunhosa, e sua tática de divulgar seu trabalho (Dark Electro com guitarras pesadas), é no mínimo inusitada, pois basta enviar seu endereço para ele, que receberá seu cd gratuitamente, sim isto mesmo. E o disco é muito bom, peça o seu e divulgue, pois o gajo merece.
Ouça um tema do disco: https://soundcloud.com/nothing-always-works

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

João, um outsider - sintonize ou caia fora.

João Arjona Jr. Este nome lhe diz algo? Creio que não, mas deveria, pois trata-se de um músico, poeta e maluco da fina cepa. Um paulistano cheio de conteúdo e parceiro de um grande amigo deste que vos escreve, Marcelo Scanzani, outra figuraça. Vamos entrevistá-lo e entrar no universo deste povo sideral.
Entrevista:
Plataforma – João, como e com que idade você começou a se interessar por música e livros, ou melhor, arte em geral?
João - Comecei primeiro com a literatura lá pelos meus 10 anos. Adorava química; ficava fuçando os dicionários atrás de elementos químicos e alcalóides, como também me interessava muito por discos voadores. Li tudo do Erich von Daniken. Minha mãe me deu dois livros sensacionais; um foi a Revolução dos Bichos de George Orwell e o outro foi A Vida Secreta das Plantas de Peter Tompkins e Christopher Bird. A música veio aos 14 anos quando ganhei um violão, e estava ocorrendo aquele boom do rock nacional dos anos (19)80. Eu me interessei pela bateria e também aprendi a tocar na raça furando o sofá da sala! Daí rolou o Rock in Rio I; eu pirei com o AC/DC e, daí, fui descobrindo as bandas. Vi o Ozzy (Osbourne) e descobri que ele era do Black Sabbath e, assim, fui me aprofundando.
Plataforma – Em que momento de sua vida começaste sua amizade e parceria artística com Marcelo Scanzani?
João - A parceria com o Scanzani aconteceu em 2001. Eu tenho um estúdio de ensaio, e ele veio tocar com a banda dele, Chaotic Sound System. Ouvi o som deles e me identifiquei na hora. Quando eles terminaram o ensaio, puxamos papo e vimos que tínhamos muito em comum. Começou assim uma grande amizade!
Plataforma – Fale um pouco sobre o projeto SOLAVANCO DE PRIMAVERA; quando começou, a sonoridade, etc...?
João - O projeto Solavanco da Primavera surgiu numa jam que fizemos na casa do Scan. Levamos um amigo nosso, o seu Correia e começamos a improvisar. De repente, Seu Correia pegou o microfone e começou a cantar músicas da velha guarda – Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Mário Reis. Foi assim: eu tinha um 4-track aqui e, daí um dia, nós nos reunimos, eu, o Scan e o Seu Correia e começamos a improvisar e já gravando, as faixas duravam o tempo a fita cassete. Minhas influências eram Walter Franco, Walter Smetak, Destroy All Monsters (que me foi apresentado pelo Scan).
Plataforma - Recentemente você entrou para a banda Olhos de Guaxinim, capitaneada por Sir Scanzani. Como tem sido?
João - Na verdade, não faço parte da Olhos de Guaxinim. Minha banda, digamos assim, mais acessível é a Acapulco Drive-in, mas continuamos com o projeto do Solavanco.
Plataforma – Deixe um recado ou grito. Estamos ouvindo você.
João – Tem que botar pra quebrar, pra cima com a vida, moçada!
Ouça SOLAVANCO DE PRIMAVERA: https://www.youtube.com/watch?v=2RI1yCaFnKE

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Cyber Satan ( Um conto de Jean Souza)

A vida no mundo planificado e impessoal se movimenta um pouco mais rápida que no passado. Os carros flutuam como pedras e flechas arremessadas como nos ritos tribais, velozes e certeiros. Prédios iguais e transparentes fingindo honestidade, máquinas e homens misturados como se fossem irmãos. Milhares de embriões dividindo a piscina e quando chega a hora do nascimento reduzida a apenas duas semanas, são expelidos da Cloaca, modificados geneticamente não choram (programados para evitar constrangimentos), a vida funcional persistindo. O céu virtual simula um verão estática de temperatura amena, sonhos coletivo bem ordenados, sem som ou qualquer sujeira, nem mesmo em pensamentos... amarelo e cinza. As trocas de membros e órgãos são comuns e realizadas no meio da rua, ninguém consegue passar três dias sem trocar um pulmão ou fígado, outros preferem exoesqueletos e há os mais afortunados que preferem a solidão dos prédios, normalmente alguém de meia idade que trabalhou o suficiente para ser Imortalizado. No termino do século XXI foi desenvolvida uma droga que seria a punição final revolucionando o sistema carcerário, substancia capaz de prender o ser por mil anos o prisioneiro no seu próprio mundo encefálico, cinzento e branco. Cada nanosegundo dias se acumulam no universo do eu estático, o condenado era forçado a abrir a boca, pressionando os maxilares – sorrisos, choros, alegrias e tristezas para ambos os lados, alguns mordiam arrancando dedos do carcereiro, mas acontecia poucas vezes e muito do que era dito não passavam de lendas. A droga foi aperfeiçoada e aderida nas classes mais abastardas, hoje praticamente toda humanidade consome uma versão de Imortalidade, mesmo que tal intenção (de se ficar vivo para sempre) esteja apenas na embalagem.
Em alta velocidade, as arvores florescentes e sintéticas iluminam o caminho reto e sem acidente, a noite é de 3 horas e o céu virtual retorna ao dia ensolarado e paralisado, a segunda natureza de ferro, silicone e silício é para enfeite, os pássaros fantasmas virtuais e cintilantes atravessam os corpos, a nova natureza apenas para os olhos. O velhote no carro flutuante, assiste ao neurojornal.
- O lagarto... - DIVINDADE é a qualidade característica, unificadora e coordenadora da Deidade.* - Z333 encontrado em outro planeta. - Colônias terrestres moveis participe você também. -As criaturas mortais em evolução possuem uma necessidade irresistível de simbolizar os seus conceitos finitos de Deus. *
-Todos se dirijam ao próximo nível, descarga de material a 2km.
- uma reserva em 5 horas.
O carro estava alcançando velocidade máxima. Não há mais o paladar, usa um traje que regula todas as funções que restaram da antiga humanidade, algo que logo mais poderá ser resolvido, apenas o vazio do estomago é sentido, em poucos segundos alimentação intravenosa e logo o alivio - sensação de satisfação. A neuropropaganda continua a cantar e multicolorir o cérebro, o velho não dá muita importância até que:
- Daqui a 2hs teremos a primeira apresentação ao grande público do Projeto Morte Noise que realizará o show experimento para aqueles que possuem vontade de transcender a matéria, nossa atual sociedade atingiu o sonho máximo, não precisamos mais sentir medo, superamos a natureza, mas ainda sentimos a necessidade de possuirmos algumas sensações e uma delas é a experiência da morte, vivencia-la e voltar para compartilharmos...
O velho sabia o que seria relatado em sua cabeça, mecanicamente se dirigiu ao local esperado, em alguns minutos percebeu que uma manada de seres semiartificiais estavam se movendo para o mesmo lugar, luzes e mais luzes, pequenos sons tecnológicos e prédios cinzentos e padronizados como milhões de irmãos siameses unidos por centenas de cordões umbilicais (elevadores de transportes diversos).
O prédio se destacava dos demais, possuía uma porta modelo antigo, para abri-la tinha que colocar o olho na esfera que saia do lugar onde estaria uma campainha nos tempos áureos, andando sentiu o cheiro de perfume mas não se importou, a frente animaisretrôs em seus fingimentos binários animavam-no com seus pulinhos, cantos e pequenas violências predadoras, essas criaturas o alegra muito pela despretensão, são horrivelmente mecânicos sem nenhuma carne sintética, mas podem ser tocados, pisa num cachorrinho metálico e observa todo mecanismo e fluídos se espalharem no chão liso e reto. No centro de tudo, uma árvore majestosa e frutos pesadíssimos que em tempos e tempos caiam abalando o chão, eram mais ou menos cópias da campainha. Estava tão tranquilo que não notou que o lugar já estava lotado, alguns olhavam espantados e com nojo por não acreditar que alguém tão velho esteja ali, pronto para transcender, ter experiências além matéria, talvez acreditassem que ele roubaria o lugar que é só deles.
A música pressiona seus corpos como paredes de aço espremendo a todos formando um ser múltiplo de ruídos maquinais e retorno aos sentimentos primitivos que cada célula aprendeu durante milhares de eras, apenas o velho não se sente confortável, sabia que todos o ignoram porque tinha abandonado a dois dias o upgrade, não queria renovar seu cérebro bastava o corpo, ama o mecanismo de sua falange rangendo, fica horas abrindo e fechando as mãos enquanto os outros se preocupam em pagar alto preço para continuarem agindo da mesma forma e repetindo o mesmo padrão cerebral, pensou numa dose de Imortalidade.
O cheiro de metal e carne sintética começou a impregnar a casa, pessoas imploravam para serem desintegradas, um novo balé se formava. Disparos aleatórios, gritos de dor e muitos sorrisos.
Um grupo desesperado a gritar.
- Queima, queima, queima!
A arma minúscula igual a o dedo indicador apontando e disparando, não havia cor, apenas derretimentos, gritos de euforia e louvores estranhos.
- DEUS é uma palavra-símbolo, que designa todas as personalizações da Deidade. O termo requer uma definição diferente para cada nível pessoal de função da Deidade e deve, ainda, futuramente, ser redefinido dentro de cada um desses níveis, pois esse termo pode ser usado para designar as personalizações diversas, coordenadas e subordinadas, da Deidade, como por exemplo: os Filhos Criadores do Paraíso: os pais dos universos locais.
O dedo aponta e vaporiza, pequenas brumas vermelhas flutuantes e leves. O show chegou ao clímax, começou a segunda parte da liturgia.
1. * Deus, o Pai : o Criador, o Controlador e Sustentador. O Pai Universal, a Primeira Pessoa da Deidade. 2. Deus, o Filho : o Criador Coordenado, o Controlador do Espírito e Administrador Espiritual. O Filho Eterno, a Segunda Pessoa da Deidade. 3. Deus, o Espírito : o Agente Conjunto, o Integrador Universal e Outorgador da Mente. O Espírito Infinito, a Terceira Pessoa da Deidade.
Uma voz estridente e dissonante anunciava:
- Todos somos três, todos somos o infinito, somos o pai e o filho, somos o espirito. Uno sem início e fim, sem movimento, somos nosso próprio motor infinito.
Duas imensas esculturas cibernéticas surgiram onde estava a grande arvore, corpo humano com a cabeça de boi e a outra de leão, nos seus ventres havia uma cavidade onde se acendiam as fornalhas, as duas esculturas estão coladas como moeda antiga, uma em oposição a outra, todas as duas seguravam uma espécie de crianças, muitos sentiam um certo medo, o desconhecido ainda afeta o resto de humanidade dos seres semimaquinais.
- Estamos prontos para experimentar o eu que é uno e múltiplo, o eu-nós, mortos, ressuscitados, unidos e separados, nós-eu, pleno sem princípio ou fim, apenas existindo.
O velho foi acertado pelo raio, e só havia luz e mais luz, calor... Sentiu a perda de sua individualidade, quer continuar, sabe quem é, possui desejos.
- Vocês já estão prontos, somos o Nós e o Eu Supremo, vivemos do lodo borbulhante... sempre vivemos e voltamos e todos nessa nova era podemos misturarmos.
- Vocês já estão prontos, somos o Nós e o Eu Supremo, vivemos do lodo borbulhante... sempre vivemos e voltamos e todos nessa nova era podemos misturarmos.
A grande sala estava colorida de componentes biomecânicos, sangue sintético e vapores de corpos recém derretidos, não demorou muito o processo estava sendo revertido. Partes de diferentes corpos se fundindo braços, pernas, troncos, olhos, bocas, misturando-se formando indivíduos diferentes entre si, dividindo, multiplicando e repartindo lembranças, espirais de pensamentos misturados em seres de três, quatro, cinco ou mais cabeças, pernas e braços por todas as partes dos corpos, a catarse uma voz que são centenas, o universo condensado em quatro paredes, dança e o ardor dos corpos fundidos, todos os pensamentos compartilhados se tornando um só, os mais fracos sucumbem, não conseguem manter a individualidade, só os que possuem ego como força da vida sobrevive, sons mentais de dores e prazeres. As esculturas movimentam-se para baixo desaparecendo, aos poucos os sobreviventes são integrados novamente ao habitat, retornando a dimensão simplória e cotidiana, sentem-se cansados e beatificados, todos sentiam uma estranha paz de espirito, do caos ao nada do nada ao caos sentiam que precisavam desses seres estáticos, precisavam dessas sensações, retornariam quantas vezes fosse possível para sentirem-se apenas vivos
O Velho moveu a mão e não sentia mais prazer, entrou no carro, começou a ver tudo em sua volta diminuir até ver o mundo geométrico e ordenado que vive, como gostaria de experimentar o caos outra.
Jean Souza (Escritor e músico)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Silêncio, negação e não-música. (Por Phillipe Cunha)

É fatalmente impossível viver em silêncio. Há, de maneira automática, o elemento da percussão de nossos corações como o elemento fundamental para concluirmos nossa existência. John Cage, ao conceber 4’33’’, já alentara para esta reflexão ao ser atacado pelos conservadores críticos de música por uma obra que, ante a própria inércia dos compositores, se estabelece como música de interação dos nossos corações, respiros, movimentos e incômodos que sentimos ao sair do silêncio aleatório para o silêncio orquestrado. Definitivamente, só temos silêncios quando perecemos. Fim. Ao receber o convite para escrever sobre viver numa cidade sem música, justamente busquei desconstruir esta premissa: se não conseguirmos viver em silêncio, se estamos a todo momento rodeado de sons, vivemos então em música automaticamente por estarmos numa cidade? Sim. Na música contemporânea temos o retorno do conceito de ruído como som e instrumento artístico, fazendo assim a confluência entre o que desenvolvemos no físico (arquitetura e cidade) dentro do espaço metafísico (música). A cidade é esta multiplicidade física da música: sempre ouvimos os atos e cenas de sua ópera assim como fazemos parte dela, seja na praça, dentro do carro, nas fábricas ou hospitais, estamos e somos a música de nossas cidades. Mas o que é viver sem se preocupar com música? Simplesmente é ignorar a própria existência. É ignorar, frente à prova cientificamente comprovada da relatividade entre o tempo e espaço por Einstein, que a natureza simplesmente é o que ela sempre foi: música. Música é, metafisicamente, um ato arquitetônico composto de outros fenômenos, no caso o som e o tempo. A arquitetura, seja ela do corpo ou do planeta é exatamente o mesmo, pois consideramos atos arquitetônicos fenômenos como luz e espaço. Greco-romanos já estabeleciam tais filosofias em seus cânones, principalmente por considerar que todas as expressões artísticas deveriam seguir, igualmente, os mesmos princípios, pois se manifestam no mesmo lugar ontológico ao qual sabemos. Viver é estar e ser algo constante, dotado de vontades físicas e metafísicas, seja você ateu, gnóstico ou agnóstico. A música e a arquitetura são a vontade de viver, continuar experimentando e continuar descontruindo. John Cage, representação de Fontana Mix (1958)
Desde de John Cage muitas mudanças na música ocorreram. A música deixou de ter o status puramente apreciativo e influenciador a ser a experiência própria, efêmera e única. A emergência da chamada música eletroacústica latente e influente em compositores como Iannis Xenakis, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez e Pierre Schaeffer já denotavam a subversão da estrutura clássica ao qual a música deveria acontecer, com métodos serialistas ou aleatórios. Se dentro de nós, biologicamente, nasce uma música tão moderna como 4’33’’, como podemos transcender algo tão inovador? Como podemos transcender a arte e o fenômeno que dela surge? Esta questão já foi respondida de diferentes épocas e formas, todas apreciando justamente seu não-estado, sua negação, a ausência.
Iannis Xenakis, representação de Mycenae Alpha (1978) A partir do coração de John Cage, modificamos nossa visão de enxergar o mundo e nossas cidades. Das fábricas imundas é gélidas do proletariado existia amor e sexo tal como Genesis P-Orridge e seu coletivo COUM Transmissions performava na década de 70, ou que os alemães fervorosos do não-movimento Krautrock agrediam a cidade alegre e estupidamente feliz do rock 'n' roll dos anos 60. Graças a essas transformações podemos enxergar a música das cidades e da natureza com os olhos do cuidado e do afeto, do hedonismo e da transformação social. Agora, a percussão musical é outra, procuramos um outro silêncio, outras fontes da mesma verdade. Throbbing Gristle, Pere Ubu, Cabaret Voltaire e tantos outros observavam as mesmas cidades, seus próprios subúrbios industriais sucateados pelo liberalismo econômico. Aparentemente, estes subúrbios industriais eram repetições diferentes de um estúpido milagre capitalista. Se Burroughs, Deleuze e Guattari perceberam também a repetição e a (in)diferença de nosso mundo, a música trilhava neste caminho em busca de seu paradoxo: o novo silêncio.
Pere Ubu, capa do LP The Modern Dance (1978)
'' Palavras são como violência, elas quebram o silêncio [...] Promessas são ditas para serem quebradas. '' proclama Dave Gahan na eletrônica frenética de Enjoy the Silence do Depeche Mode, composta por Martin Gore ao fim da década de 80, auge do chamado pós-modernismo. Esta vontade de silêncio chega ao auge com ''Silence is Sexy'' de Einstürzende Neubauten ou o trance de Bedtime Story composta por Björk para Madonna. Precisamos morrer para lutar pelo nosso silêncio, precisamos desconstruir e viver num mundo onde palavras de ódio e rancor não machucam mais seus habitantes. O silêncio portanto é a harmonia máxima, mesmo que para isso teremos que mais uma vez lutar contra a morte. O que precisamos já está em nossas mãos.
Anton Corbijn, videoclipe para Enjoy the Silence de Depeche Mode (1990)
*Phillipe Cunha, arquiteto e urbanista. Pesquisador sobre as práticas contemporâneas cibernéticas no campo ampliado da arte e da arquitetura multimídia.